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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O Navio Negreiro - Antonio Frederico de Castro Alves

O poema de Antonio Frederico de Castro Alves, O Navio Negreiro, é um dos mais conhecidos da literatura brasileira. O poema descreve com imagens e expressões terríveis a situação dos africanos arrancados de suas terras, separados de suas famílias e tratados de forma desumana nos navios negreiros que os traziam para ser propriedade de senhores e trabalhar sob as ordens dos feitores em terras brasileiras.
O Navio Negreiro, com o subtítulo Tragédia no Mar, foi concluído pelo poeta em São Paulo, em 1868, quase vinte anos depois da promulgação da Lei Eusébio de Queiroz de 04 de setembro de 1850, que proibiu o tráfico de escravos, e foi declamado por ele a 07 de julho daquele ano, no Theatro São José, com grande êxito. Entretanto, a Lei Eusébio de Queiroz, como outras em nosso país, não foi cumprida integralmente, por nos faltarem os instrumentos fiscalizadores, levando, destarte, Castro Alves, com sua poesia de cunho social, contrariamente à temática da estética romântica, mais voltada ao egocentrismo, a se empenhar na denúncia da miséria a que eram submetidos os africanos na cruel travessia oceânica. Necessário se faz observar que, em média, menos da metade dos escravos embarcados nos navios negreiros completava com vida a dura viagem.
No poema, composto de molde a ser declamado às audiências, a cada situação retratada ocorrem as alternâncias métricas usadas pelo autor a fim de obter o efeito rítmico mais adequado. Assim, inicia-se com versos decassílabos que representam, de forma claramente condoreira, a imensidão do mar e seu reflexo na vastidão dos céus.
Composto em seis partes, com estruturas diferentes, demonstrando a liberdade formal do Romantismo, o poema se inicia com a supressão da vogal “e” inicial da palavra Estamos, grafada Stamos para que o poeta forme um verso decassílabo. Com este recurso, tipicamente romântico, a expressão suplanta o cuidado formal.

I
'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.

O poeta abre o poema descrevendo o cenário, como a convidar o leitor a uma história que nele se desenrolará... Brinca o luar – dourada borboleta, a primeira metáfora surge como o barco a bailar por sobre as águas...

'Stamos em pleno mar... Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
— Constelações do líquido tesouro...
'Stamos em pleno mar... Dous infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? Qual o oceano?...

Temos, já no início do poema, a antítese, presente amiudadas vezes na obra castroalvina: céu e oceano...

'Stamos em pleno mar.. . Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...

O navio negreiro, o veleiro brigue... Embora o eu lírico ainda não saiba o que ele conduz, aparece no poema em meio à poética paisagem.

Donde vem? onde vai? Das naus errantes
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste sahara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas não deixam traço...

Surgem os questionamentos, de onde vem aquela embarcação, como a sugerir ao leitor uma aura de mistério a prepará-lo para os acontecimentos que advirão com o desenrolar do poema.

Bem feliz quem ali pode nest'hora
Sentir deste painel a majestade!
Embaixo — o mar em cima — o firmamento...
E no mar e no céu — a imensidade!

O jogo das antíteses evidencia-se, permeando as três primeiras partes do poema, onde a dedução pode levar o leitor, por enlevar-se com as grandiosidades de seu introito, a não permitir a mancha, o borrão a maculá-lo, na figura do navio negreiro, que se salienta a partir da quarta parte.

Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! Como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!

Homens do mar! ó rudes marinheiros,
Tostados pelo sol dos quatro mundos!
Crianças que a procela acalentara
No berço destes pélagos profundos!

Esperai! Esperai! Deixai que eu beba
Esta selvagem, livre poesia
Orquestra — é o mar, que ruge pela proa,
E o vento, que nas cordas assobia...

Por que foges assim, barco ligeiro?
Por que foges do pávido poeta?
Oh! Quem me dera acompanhar-te a esteira
Que semelha no mar — doudo cometa!

Albatroz! Albatroz! águia do oceano,
Tu que dormes das nuvens entre as gazas,
Sacode as penas, Leviathan do espaço,
Albatroz! Albatroz! Dá-me estas asas.

A musa de Castro Alves erige-se na figura do albatroz, o maior pássaro oceânico, que chega a ter até 4 metros de envergadura de uma ponta a outra das asas. É o equivalente marinho do condor dos Andes, como ave altaneira a sobrevoar e observar, das grandes alturas, a mesquinhez do gênero humano, presente...

Na segunda parte do poema, composta em versos redondilhos maiores (heptassílabos), ao seguir o navio misterioso, pedindo emprestadas as asas do albatroz, o eu lírico escuta as canções vindas do mar. Ao se aproximar, na terceira parte, em versos alexandrinos, o eu lírico se horroriza com a “cena infame e vil”, descrita na quarta parte do poema, através de versos heterossílabos, alternando decassílabos e hexassílabos:

II

Que importa do nauta o berço,
Donde é filho, qual seu lar?
Ama a cadência do verso
Que lhe ensina o velho mar!

Cantai! que a morte é divina!
Resvala o brigue à bolina
Como golfinho veloz.
Presa ao mastro da mezena
Saudosa bandeira acena
As vagas que deixa após.

Do Espanhol as cantilenas
Requebradas de langor,
Lembram as moças morenas,
As andaluzas em flor!
Da Itália o filho indolente
Canta Veneza dormente,
— Terra de amor e traição,
Ou do golfo no regaço
Relembra os versos de Tasso,
Junto às lavas do vulcão!

O Inglês — marinheiro frio,
Que ao nascer no mar se achou,
(Porque a Inglaterra é um navio,
Que Deus na Mancha ancorou),
Rijo entoa pátrias glórias,
Lembrando, orgulhoso, histórias
De Nelson e de Aboukir.. .
O Francês — predestinado —
Canta os louros do passado
E os loureiros do porvir!

Os marinheiros Helenos,
Que a vaga jônia criou,
Belos piratas morenos
Do mar que Ulisses cortou,
Homens que Fídias talhara,
Vão cantando em noite clara
Versos que Homero gemeu ...
Nautas de todas as plagas,
Vós sabeis achar nas vagas
As melodias do céu! ...

O contraste dos marinheiros de toda parte é enaltecido, cantando suas glórias e seus heróis, que já pervagaram aquelas mesmas latitudes...

III

Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
Desce mais ... inda mais... não pode olhar humano
Como o teu mergulhar no brigue voador!
Mas que vejo eu aí... Que quadro d'amarguras!
É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ...
Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!


IV

Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...

Toda a carga emotiva do eu lírico vem à tona, em versos diretos, plenas de impactos semânticos, como espelhos a refletirem a indignação e estupefação que o autor quer passar ao leitor, descrevendo a cena dantesca que o navio encerra em seu bojo... “[...] Os sintagmas, progressivos, como que se projetam em espiral.”, segundo observa Godofredo Filho, na introdução à edição de 1959 de O Navio Negreiro, editado pela Livraria Progresso Editora, de Salvador.

Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!

E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...

Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!

No entanto o capitão manda a manobra,
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."

E ri-se a orquestra irônica, estridente. . .
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Qual um sonho dantesco as sombras voam!...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!...

Na quinta parte, novamente em heptassílabos, o poeta faz um retrocesso temporal, descrevendo a vida livre dos africanos em sua terra. Cria, assim, um contraponto dramático com a situação dos escravos no navio. Na última estrofe Castro Alves retoma os decassílabos do início para protestar com veemência contra a crueldade do tráfico de escravos:

V

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!

As consequências, mais que os motivos, evidenciam-se. O eu lírico procura, invocando as potestades da natureza, a consciência do leitor, a ser atingida com as imprecações plenas de revolta perante o que ele observa, de forma fervorosa, e o poema torna-se tão magistralmente arquitetado neste ponto que sua firmação dá-se peremptoriamente, com sua capacidade de emocionar e incitar.

Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!...
São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão. . .

São mulheres desgraçadas,
Como Agar o foi também.
Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N'alma — lágrimas e fel...
Como Agar sofrendo tanto,
Que nem o leite de pranto
Têm que dar para Ismael.

Lá nas areias infindas,
Das palmeiras no país,
Nasceram crianças lindas,
Viveram moças gentis...
Passa um dia a caravana,
Quando a virgem na cabana
Cisma da noite nos véus...
... Adeus, ó choça do monte,
... Adeus, palmeiras da fonte!...
... Adeus, amores... adeus!...

Depois, o areal extenso...
Depois, o oceano de pó.
Depois no horizonte imenso
Desertos... desertos só...
E a fome, o cansaço, a sede...
Ai! quanto infeliz que cede,
E cai p'ra não mais s'erguer!...
Vaga um lugar na cadeia,
Mas o chacal sobre a areia
Acha um corpo que roer.

Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d'amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...

Ontem plena liberdade,
A vontade por poder...
Hoje... cúm'lo de maldade,
Nem são livres p'ra morrer. .
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão.
E assim zombando da morte,
Dança a lúgubre coorte
Ao som do açoute... Irrisão!...

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! ...

Na sexta parte, em decassílabos camonianos e oitavas heroicas, o autor arremata o poema de forma apoteótica, conclamando os símbolos pátrios e os heróis da América à batalha contra o horror do nefando comércio de escravos:

VI

Existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto! ...

Quão grande é a lamentação do eu lírico, sabedor que é a nossa bandeira, a cobrir de vergonha a pátria, a tremular no mastro do navio negreiro, impudente, infame e vil, a corroborar o subtítulo do poema, Tragédia no Mar... Conclama o poeta, num flamejante e apoteótico final, altaneiro como o albatroz marinho ou o condor andino, aos “heróis do Novo Mundo” a tomarem parte, como corresponsáveis na manutenção dos valores pátrios, a “fecharem as portas” a tanta vileza em nossos mares, tendo nossa bandeira por testemunha:

Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...

Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! Arranca esse pendão dos ares!
Colombo! Fecha a porta dos teus mares!

Escrito em São Paulo, a 18 de abril de 1868.


Ressoam estes fulgurantes e atemporais versos em nossas retinas psíquicas e espirituais, como a nos conclamar ainda a lutar pelas liberdades dos oprimidos modernos, que muitas vezes somos nós mesmos, nas ingentes pelejas diárias; a denunciar os abusos de toda sorte cometidos a outrem, entre eles a discriminação racial, a prostituição infantil e o trabalho escravo nas lavouras e minerações; a superar as indiferenças para com as necessidades alheias; a rentear com os mais fracos; a enfrentar o sistema selvagem da hodierna competição por emprego, estudo e bem estar, sem ferir nossos semelhantes; a valorizar os esforços dos que buscam um lugar ao sol; pois, sob vários aspectos, simbolicamente, os “tumbeiros”, ou “navios negreiros” ainda singram as águas de nossa sociedade, nos remetendo a meditar se será necessária uma nova Lei que proíba tal tráfico, ou que possa surgir uma nova Princesa Isabel a sancionar uma moderna “Abolição” da escravatura em nosso país, proclamando a igualdade definitivamente por estandarte a nortear os rumos de nossa convivência social.


NAVIO NEGREIRO CONTEMPORÂNEO

Composição Todo Camburão Tem Um Pouco de Navio Negreiro

A propósito da atualidade do poema O Navio Negreiro, que conta 141 anos neste ano de 2009, podemos examinar a letra da música do compositor Marcelo Yuka, do grupo de Rap e Hip Hop “O Rappa”, que apresenta, com sua linguagem moderna, a mesma temática usada pelo grande vate condoreiro, não obstante os diferentes contextos históricos, mudando a roupagem nos veículos da opressão: dos “tumbeiros”, citados por Castro Alves em seu poema, para os “camburões”; das “chibatas” às “macacas”:

Todo Camburão Tem Um Pouco De Navio Negreiro
O Rappa
Composição: Marcelo Yuka

Tudo começou quando a gente conversava
Naquela esquina alí
De frente àquela praça
Veio os homens
E nos pararam
Documento por favor
Então a gente apresentou
Mas eles não paravam
Qual é negão? qual é negão?
O que que tá pegando?
Qual é negão? qual é negão?

É mole de ver
Que em qualquer dura
O tempo passa mais lento pro negão
Quem segurava com força a chibata
Agora usa farda
Engatilha a macaca
Escolhe sempre o primeiro
Negro pra passar na revista
Pra passar na revista

Todo camburão tem um pouco de navio negreiro
Todo camburão tem um pouco de navio negreiro

É mole de ver
Que para o negro
Mesmo a aids possui hierarquia
Na áfrica a doença corre solta
E a imprensa mundial
Dispensa poucas linhas
Comparado, comparado
Ao que faz com qualquer
Figurinha do cinema
Comparado, comparado
Ao que faz com qualquer
Figurinha do cinema
Ou das colunas sociais

Todo camburão tem um pouco de navio negreiro
Todo camburão tem um pouco de navio negreiro

Na letra da música, além de registrar nas entrelinhas o desconforto de se viajar num camburão, como um navio negreiro sobre rodas; e a intolerância policial, usando os instrumentos de tortura, como os marinheiros-feitores de outrora usavam os chicotes, o autor deixou de forma patente a discriminação racial que os negros ainda sofrem no Brasil, sendo sumariamente suspeitos de qualquer tipo de ação, nociva ou não à Lei, que a força policial, coadjuvada pelos conceitos que a sociedade emite, pressupõe que os mesmos estejam a praticar.
O autor Marcelo Yuka expressa também que a doença AIDS, apesar do flagelo que representa, sobretudo na África, onde dizima milhares de vidas anualmente, oferece menor atração à imprensa mundial, que prefere repercutir o cotidiano das pessoas ligadas ao cinema e frequentadores das colunas sociais, além de sugerir que a sociedade é omissa perante fatos desta natureza. Omissão que grande parte da sociedade oitocentista também revelava frente ao tráfego e ao tráfico que os navios negreiros praticavam à época.

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